Património Natural
PIA CORCEIRA
Encontrei esta maneira
De falar da Pia Corceira.
Numa resumida história
Verdades muito sentidas
De perto por mim vividas
Estão na minha memória
PIA DA TI CAROLINA
A Ti Carolina do Branco
Passava com seu encanto
Muita saudade nos faz.
Dava-nos a “salvação”
Com seu balde na mão
E a sua cabrinha atrás.
PIA DO TI LUÍS GRAVE
A pia do Ti Luís
Já era sofisticada
Com pedras era telhada
E cuidada com primor,
Sua água era a melhor.
Com dois charcos naturais
E a pia de lavar,
Bem cuidada a sua horta,
E até já tinha uma porta
Para poderem entrar.
PIA DO PAIXÃO
Na pia do Paixão,
A que em Lisboa nasceu
E o amor aqui prendeu,
Enquanto a roupa lavava
Ia lembrando o passado,
Apesar de tão cansada,
A Inês cantava o fado.
Nove filhos a criar
Com o apoio do seu João
Sempre, sempre a trabalhar,
As carências desses tempos
Foram sabendo enfrentar.
PIA DO TI DOMINGOS
Por ser a mais pequenina
Também era aproveitada,
O Domingos com carinho
Plantava o cebolinho
Que não dava para mais nada.
PIA DO MANEL DA LOJA
O Ti Manuel da Loja
Também tinha a sua pia
Tão bem com lajes telhada
E a horta bem tratada.
Mais do que os belos repolhos
Que a Lídia vinha apanhar,
Levava ervas em molhos
Para os coelhos tratar.
PIA DO POVO
É de todas a Rainha
Por ser a maior entre as demais,
Toda a gente aqui vinha
Encher a sua cantarinha
E dar água aos animais.
Nos anos que ela secava
No fundo ficava lodo.
Quando o funil chamava
Toda a gente se juntava
Para limpar a Pia do Povo.
Para a água escorrer limpinha
Toda a laje era varrida,
Pela rocha era filtrada
Esta água abençoada
Que a muita gente deu vida.
PIA DO TI DECELITRO
Assim que a manhã chegava
A Clementina carregava
Muita roupa para lavar.
Enquanto ela lavava
O Calado Pires cavava
Para a horta preparar.
Vendo a água escassear
Logo pensou nesse dia
Um rego na laje talha,r
E quando a do Povo bordar
Enche logo a sua pia.
Pia do Decelitro
PIA DO SARABUGA
Não consigo as rimas certas
Para poder descrever estas
Que vi meu pai “descavar”
Com postolo e o marrão,
O martelo e o picão,
Pedra a pedra a retirar.
Eram bem raros os dias
Pedras de saltadouro
Que não íamos ao pé das pias
Para a horta regar,
Apanhar salsa ou hortelã,
Lavar roupa de manhã,
Antes do sol não queimar.
PIA DA VICÊNCIA
A Vicência da água não precisava
E a dava muito contente
Ao irmão e à vizinha,
À comadre e à sobrinha,
Chegava para toda a gente
Passou ao Arlindo Vicente
Que nos seus canteiros plantava
Favas, ervilhas e grão,
Batatas, couves, feijão,
Para todo o ano lhe dava.
PIA DA OLINDA
A Palmira de mansinho
Para ganhar um dinheirinho
A sua água arrendava.
Passou ao Zé Catrino,
Por ser um homem bonzinho,
A todos a sua água dava.
PIA DO RAUL LENHA
Na pia do Raul
Muita roupa se lavava
Para oito filhos criar.
A Umbelina, coitada,
Bem tinha que se virar,
Tinha couves, tinha nabos,
Que ela podia apanhar
Mas, por vezes não sabia
Como é que os ia temperar.
PIA DO TI ZÉ BALDINO
É da família Gonçalves
A que foi da avó Balbina
Onde eu tanto brinquei.
Muita amora eu apanhei.
Na árvore era o meu baloiço
E as escadinhas do marouço
Que eu tantas vezes saltei
PIA DO MANEL LENHA
O Manuel Lenha e a Conceição
Sempre na conversação
A caminho da Pia Corceira:
Temos que a água poupar
Em Setembro a chuva vai chegar
E então vamos plantar,
Cresce da mesma maneira
E não nos dá tanta canseira.
PIA DO PITA
A pia grande e os charcos,
Na rocha a pia de lavar,
Também tinha uma “casina”
Para da chuva abrigar.
Foi em tempos do Batista,
Também foi da “Solidade”
Há muito tempo atrás.
Hoje é do Manuel Pita
Que muito gosto nela faz.
PIA SONSA
A Pia Sonsa foi piscina
Onde aprenderam a nadar
Rapazes de muitas gerações.
Pelos mais velhos ajudados,
Com uma corda eram puxados
Despidos ou em calções.
Ao longe se ouviam
Na algazarra que faziam
Quando para a água saltavam,
Mas por vezes ao sair
Quando iam para se vestir
A roupa não encontravam
Porque alguém para os castigar
A tinha vindo buscar.
PIA DOS FERREIRAS
A água do Zé Ferreira
Tinha que ser controlada
Porque para toda a família
Ela tinha que chegar,
Para a roupa lavar,
Para a horta fazer,
E ao seu rebanho de cabras
Tinha que dar de beber.
PIA DA TI ELISA
As couves da Ti Elisa
Eram grandes e fresquinhas
Que com gosto ela mostrava.
Muitas vezes a correr
Quase sempre vinha ver
Se alguma lhe faltava.
PIA DO GABRIEL CARREIRA
A Pia do Gabriel Carreira
Também tinha terra boa
E uma grande figueira.
A água era muito pouca
Porque a pia estava rota.
Quando o charco se enchia
Logo apressada ia
Com a sesta e o alguidar,
Enquanto a roupa corava
A Perpétua aproveitava
Para os figos apanhar.
PIA DO NARCISO
Dava gosto ver a Umbelina
A apanhar as favas
Que levava no regaço,
Para engordar a porquinha.
Ainda tinha uma covinha
Onde guardava o bagaço.
Hoje é do Engenheiro Grave
Que a trata com cuidados
E assim mata a saudade
De velhos tempos passados.
................
Ainda mais pias haviam
Que não foram acabadas
Porque a saúde faltou,
Ou a velhice chegou
Mas sempre serão lembradas.
Pelo muito que fizeram
Com o suor derramado
Por tudo quanto nos deram,
A todos, muito obrigado!
Maria Rosa Grave Sarabuga, a autora destes versos
